Vacina contra a dengue

Dr. Rafael Addum
04/01/2016

Recentemente, a revista New England Journal of Medicine (NEJM) – a publicação médica com maior fator de impacto científico no mundo – publicou um artigo sobre a nova vacina contra dengue, chamada CYD-TDV. Essa vacina é composta por partículas do vírus vivo atenuado com capacidade de fornecer imunidade contra os 4 sorotipos da dengue. Sua administração é feita em 3 doses com intervalos de 6 meses entre cada aplicação.

Os estudos demonstraram uma eficácia moderada (65,6%) de proteção contra a doença. Todavia, outros desfechos estudados apresentaram resultados ainda mais animadores, especialmente a redução de 67 a 80% no número de hospitalizações gerais. Uma vantagem é que a vacina não apresenta efeitos colaterais importantes.

Embora seja a primeira vacina contra a dengue comercializada no Brasil, novas pesquisas continuam em desenvolvimento para que vacinas mais eficazes estejam disponíveis para a população. No Brasil, a Fiocruz e o Instituto Butantan são líderes em pesquisas para desenvolvimento de vacina contra a dengue.

Dentre as principais limitações desta vacina, encontramos a imunização modesta contra o sorotipo 2 variando apenas de 35 a 50%. Também foi verificado um risco aumentado de hospitalizações em crianças menores de 9 anos (especialmente entre 2-5 anos) que entraram em contato com o vírus (através da transmissão pelo mosquito) após 3 anos da aplicação da vacina. Apesar disto, não houve aumento dos casos de dengue grave ou com complicações. Uma explicação para este fenômeno é que, neste grupo de pacientes, a vacina pode fornecer imunidade apenas parcial gerando anticorpos não-neutralizadores que facilitam a ação do vírus (efeito chamado de imunofacilitação).

Na prática, a vacina só foi liberada para pessoas de 9 a 45 anos. Mais estudos serão desenvolvidos para avaliar a eficácia e segurança em adultos acima de 45 anos. Ela também não é recomendada a grávidas e adultos com imunidade comprometida. A vacina atual é produzida pelo laboratório Sanofi Pasteur e será comercializada com o nome de Dengvaxia.

E vale lembrar que a vacina não protege contra outras doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti como o Zica Vírus e o Chicungunya.

 

Fonte:

Simmons, C. New England Journal of Medicine; 2015; 373(13);1263-1264

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