Tumor de cardia. Saiba quais são os fatores de risco.

A cárdia é uma região localizada na zona de transição entre o final do esôfago e o início do estômago. Ela recebeu esse nome por se encontrar anatomicamente próxima ao coração (kardia, em grego antigo).

A incidência dos tumores da cárdia e do esôfago inferior tem aumentado rapidamente nos EUA e nos países do norte da Europa nas últimas 3 décadas, especialmente entre os homens brancos. As evidências atuais indicam que os principais fatores de risco para o desenvolvimento desse tipo de tumor são a obesidade e a doença do refluxo gastroesofagiano.

O esôfago de Barrett (EB) é uma condição adquirida e consequência da doença do refluxo gastroesofagiano.

Trata-se da substituição do epitélio (camada interna de células) normal do esôfago inferior por um outro epitélio que pode sofrer um processo de transformação e iniciar o desenvolvimento do câncer.

A prevalência do EB nos pacientes com sintomas frequentes de refluxo é de 3 a 7% e a condição é duas vezes mais frequente em homens que mulheres. Pacientes com EB estão sob maior risco de desenvolver displasia e adenocarcinoma.

Apesar de ser considerado como o principal fator de risco para este tipo de tumor, o risco do portador de EB desenvolver câncer é baixo, estimado em 0.5% por ano. Além do EB, o tabagismo também tem sido implicado como um dos responsáveis pelo aumento de risco do câncer da cárdia. O baixo consumo de frutas, vegetais e fibras de cereais também está associado a maior risco de adenocarcinoma do esôfago. Por outro lado, o uso de anti-inflamatórios não esteroidais parece ter um efeito protetor sobre o risco de desenvolver a doença.

Tratamento:

O tratamento dos tumores da cárdia varia amplamente em função de sua localização, das condições clínicas do paciente e do estadiamento da doença. Quando a intenção do tratamento é a cura, o paciente é submetido inicialmente a um tratamento com quimioterapia associada ou não à radioterapia. Algumas semanas após o término, ele é levado à cirurgia, que pode envolver a retirada parcial ou total do estômago e/ou do esôfago. Para casos mais avançados, nos quais a doença já está presente em outros órgãos, as chamadas metástases, o tratamento é feito somente com quimioterapia e/ou radioterapia.

Atualmente, não existe evidência científica que suporte qualquer programa de rastreamento da população geral ou de um subgrupo de maior risco para o câncer da cárdia. Estratégias para reduzir a obesidade e o tabagismo poderão futuramente ajudar a diminuir pelo menos parcialmente o número de casos e mortes provocados por esse tipo de câncer.

Dr Flavio Sabino

Cirurgião Especializado em Esofagectomia



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