Trombose, pílulas anticoncepcionais e as mulheres.

A trombose venosa profunda é definida como a formação de trombos (coágulos) no interior das veias, principalmente nos membros inferiores, levando à obstrução do fluxo sanguíneo.

As principais consequências desta doenças são as alterações circulatórias locais, que causam principalmente dor e inchaço nos membros e a o risco de tromboembolismo pulmonar.

O tromboembolismo pulmonar acontece quando um fragmento do coágulo se desprende da veia, caindo na circulação e indo se alojar na artéria pulmonar. Um quadro bastante grave que pode levar ao óbito.

Os principais sintomas desta condição são: tosse, dor torácica, palpitações e “falta de ar”.

Esta doença é mais comum nos homens do que nas mulheres (relação de 1,2/1,0), porém na idade reprodutiva ela é muito mais comum nas mulheres do que nos homens (relação de 2 a 3/1), principalmente nas idades mais jovens.

Por que esta diferença?

A principal explicação está no estrogênio.

Este hormônio possui características específicas que levam à maior tendência de formação de trombos – diminui a quantidade de algumas proteínas anticoagulantes (antitrombina III) e aumenta a quantidade de algumas proteínas coagulantes (fatores 2,7,9,10 e plasminogênio) no sangue.

Por esse motivo, a gravidez e o puerpério (período após o parto) aumentam os riscos de trombose em 5 a 10 vezes.

Então o estrogênio é ruim?

Não, o estrogênio não é só ruim. Ele confere proteção à doenças relacionadas à aterosclerose, principalmente o infarto. Além de ser fundamental para a gravidez, desejada em algum momento da vida pela grande maioria das mulheres.

Hoje em dia muito se tem discutido sobre o risco de trombose venosa e o uso de anticoncepcionais, e inúmeras são as consultas de pacientes usuárias de pílula que procuram orientação médica pelo medo de manter o método.

Mas a pergunta é: a pílula anticoncepcional aumenta os riscos de trombose?

A resposta é sim! A maioria das pílulas é formada pela combinação estrogênio + progesterona, e apesar do estrogênio ser apontado como o maior “vilão”, existe uma infinidade de combinações, com diferentes doses e diferentes tipos de progesterona, que podem potencializar o risco de evento trombótico.

Esse risco é maior nos primeiros meses de uso (principalmente nos 3 primeiros meses) e quando se troca a formulação previamente utilizada. Portanto, se você já é usuária de pílula anticoncepcional há anos e está bem adaptada, trocar para outra formulação agora só faria o seu risco (que possivelmente já é próximo do risco da população geral) aumentar.

O fato é que os anticoncepcionais orais representam o método contraceptivo reversível mais utilizado no mundo e podem apresentar diferentes indicações que não apenas a proteção quanto a uma gestação indesejada.  Eles auxiliam na regularização dos ciclos menstruais, reduzem cólicas e fluxo menstrual, possuem efeito protetor contra o câncer de ovário e ainda podem melhorar a oleosidade da pele, dos cabelos e a acne.

O grande problema é que quando se fala de contracepção muitas mulheres iniciam um método que foi prescrito para uma amiga ou vizinha sem uma avaliação médica prévia.

No entanto, existem os “ Critérios Clínicos de Elegibilidade” criado pela Organização Mundial de Saúde para orientar profissionais e usuárias quanto aos métodos que devem ser evitados em determinadas situações.

Mulheres acima de 35 anos, hipertensas, diabéticas, tabagistas, portadoras de trombofilia (predisposição genética a apresentar trombose), aquelas com antecedente de trombose, infarto, AVE ou câncer são exemplos de mulheres que devem idealmente buscar um método alternativo para contracepção.

Nesse sentido, as pílulas de progesterona, os implantes subcutâneos e os dispositivos intrauterinos (DIUs) são alternativas interessantes e de baixo risco.

E a mensagem que fica é que apesar da pílula ser um fator de risco para trombose, em sua maioria ela não é único.

Procure um ginecologista e saiba melhor sobre todos os métodos contraceptivos disponíveis no mercado atualmente e com certeza encontrará o melhor para você!!!

Dr Marcio Filippo – Cirurgião Vascular e Endovascular do Instituto Clinics

Dra Ana Carolina Abi-Ramia – Ginecologista do Instituto Clinics

31/07/2017

 

 

 

 

 

 

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