Tomar “bomba” na academia – entenda seus riscos

O uso de esteroides androgênicos virou um verdadeiro problema de saúde pública. Seu uso é cada vez mais comum entre os praticantes de esportes, atletas e nas academias, com o objetivo de aumentar a massa muscular, promover ganho de força e buscar um ideal de corpo tido como perfeito.

Um estudo recente verificou que 3,3% da população utiliza em algum momento da vida alguma dessas substâncias, sendo mais comum entre os homens (6,4%) do que as mulheres (1,6%). Até um terço dos usuários pode desenvolver dependência ao seu uso. Cerca de 10% dos usuários utilizam técnicas de admnistração que acarretam risco à saúde, como compartilhamento de seringas (aumentando risco de transmissão de doenças como HIV e hepatite C).

Substâncias muito utilizadas pelos brasileiros são a nandrolona, oximetolona e a testosterona, porém todos os androgênios humanos e veterinários já foram utilizados por atletas. Seu uso pode ser por via injetável ou por via oral.

A testosterona e seus derivados não têm sua venda autorizada para fins esportivos e são proibidas nas principais competições esportivas. Mesmo assim, os atletas podem comprá-las através da internet. É comum a interrupção do uso nos dias anteriores às competições, para não haver detecção no exame antidoping.

O que mais preocupa quanto à utilização dos androgênios nas doses altas são os efeitos colaterais. No sistema cardiovascular, há evidências de que aumentam o risco de hipertensão, pioram o colesterol, favorecem a doença arterial coronariana e cardiomiopatias. Há também efeitos neuropsiquiátricos, como depressão, comportamento agressivo e dependência ao uso.

Nos homens, há risco aumentado para câncer de próstata, acne, ginecomastia (aumento das glândulas mamárias) e fechamento prematuro das epífises ósseas quando utilizada por adolescentes, resultando em baixa estatura.

Nas mulheres, além de acne, ocorre irregularidade menstrual e surgimento de características masculinas (virilização), como mais pelos, voz mais grave e aumento do clitóris.

Usuários de andrógenos raramente procuram seu médico para conversar sobre os seus riscos. É um desafio interromper seu uso, pois os atletas muitas vezes desenvolvem dependência e possuem algum grau de depressão ou desordem de imagem com seu corpo, conhecida como vigorexia, que podem ser agravadas pela suspensão do hormônio.

Portanto, apesar de aumentarem a força muscular e darem uma falsa sensação de bem-estar a curto prazo, existem muitos riscos associados ao uso da testosterona e seus derivados. É possível obter resultados físicos satisfatórios aliando treinos regulares, hábitos de vida saudáveis e profissionais que orientem corretamente. Não caia na cilada dos androgênios!

Dr. Rafael Addum
Clínica Médica
09/02/16

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