Preventivo. Vocês sabem o motivo da realização periódica?

Dra Ana Carolina Abi-Ramia
Ginecologia e Obstetrícia
07/04/2017

O famoso “preventivo” serve para prevenir… e ele não previne contra inflamações ou infecções, e sim contra o CÂNCER DE COLO DO ÚTERO.

O câncer de colo tem relação quase que em sua totalidade com o vírus HPV, um vírus sexualmente transmissível. Hoje já sabemos que grande parte da população (até 80% das mulheres) em algum momento da sua vida terá contato com o vírus, mas isso não deve criar nenhum alarme, visto que na imensa maioria dos casos o próprio organismo é capaz de combatê-lo.
Para uma minoria (aproximadamente 1%) esse vírus será capaz de gerar alterações celulares no colo uterino e, com o tempo, essas alterações podem progredir de forma que em aproximadamente 10 anos, se não investigadas e adequadamente tratadas, podem evoluir para câncer. Dessa forma, o preventivo serviria para diagnosticar essas alterações celulares em suas fases iniciais, permitindo o seu tratamento precoce.

Com essas informações podemos chegar a algumas conclusões e desmitificar algumas situações:
1) Mulheres que nunca tiveram atividade sexual não correm o risco de adquirir a doença, logo, não precisam de preventivo. Então aquela ideia de que a menina menstruou e deve ir ao ginecologista colher o primeiro preventivo é falsa.
2) Mulheres que realizaram histerectomia total (com retirada do colo uterino) e a cirurgia não teve como motivo o câncer, não precisam mais colher preventivo. Sem colo uterino, com certeza não terão câncer de colo.
3) Como a doença tem uma progressão muito lenta, na maioria dos casos, não existe motivo para colher preventivo com intervalos de 6 meses, a não ser que exista algum exame anterior alterado (e inflamação não é considerada uma alteração relevante). O Ministério da saúde recomenda que paciente com 2 exames normais com intervalo de 1 ano entre eles, deve realizar o exame com intervalo de 3 anos.
4) Pelos motivos já citados de que grande parte das mulheres tem a capacidade de combater espontaneamente as alterações causadas pelo vírus e pela evolução lenta, não se recomenda a realização de preventivo em mulheres com menos de 25 anos de idade. Diagnósticos realizados antes dessa idade podem levar a tratamentos desnecessários, que podem inclusive comprometer a vida reprodutiva dessas pacientes.
5) Se você fez seus exames durante toda a vida e foram todos normais, a chance de desenvolver doença após os 64 anos é muito rara. Nessa fase da vida não só a ação do vírus fica mais “difícil”, mas também as alterações celulares causadas pela baixa hormonal pós-menopausa podem confundir o resultado do exame e levar a tratamentos também desnecessários.

Resumindo, as novas diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo uterino são:
– Início aos 25 anos para as mulheres que já iniciaram atividade sexual;
– Intervalo de 3 anos após 2 exames negativos com intervalo anual;
– Interrupção aos 64 anos para as que tiverem 2 exames negativos nos últimos 5 anos.

Para outras dúvidas consulte o seu ginecologista e o mais importante:
PREVINA-SE!!!

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