Perseguir um corpo perfeito, a tênue linha entre a saúde e a doença.

Fazer exercícios diários, ter muita massa muscular e atingir um pequeno percentual de gordura são sinônimos de saúde, correto?
Nem sempre!
Esta semana, o JAMA – a revista científica mais importante da American Medical Association – publicou editorial sobre um transtorno pouco falado no dia a dia: a dismorfia muscular.
Trata-se de uma forma de desordem da imagem corporal caracterizada pela preocupação obsessiva com a aparência física com foco na massa muscular. Esse distúrbio foi descrito pela primeira vez há 25 anos atrás e vem sendo foco de muitos estudos, desde então. Mais recentemente, a dismorfia muscular foi incluída na quinta edição do catálogo de patologias da American Psychiatric Association’s Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5).
Os homens com este distúrbio descrevem insatisfação com o tamanho e o formato do seu corpo e têm a impressão que seu físico não é “muscular” o suficiente. Em geral, estes homens apresentam elevadas taxas de ansiedade, depressão, comportamento obsessivo compulsivo, abuso de medicamentos e prejuízo ao convívio social e trabalho.
A maioria dos homens com este distúrbio passam a fazer musculação, uso de suplementos e anabolizantes com objetivo de aumentar a massa muscular.
No passado, o uso de anabolizantes era consumido principalmente por atletas profissionais, todavia, atualmente, o uso desta substância está disseminado em academias de ginástica no país. Muitos usuários de esteroides anabolizantes associam seu uso a suplementos nutricionais proteicos, hormônios tireoidianos, hormônio de crescimento (GH), anorexígenos e “termogênicos”. Estas combinações aumentam em muito o risco de toxicidade das popularmente conhecidas “bombas”.

A lista de efeitos tóxicos dos esteroides anabolizantes é longa: doenças cardiovasculares, distúrbios hormonais, demência, doenças hepáticas, doenças psiquiátricas, câncer, dentre outros. O uso de anabolizantes também está associado a um risco maior de morte prematura.

É muito importante que a dismorfia muscular seja divulgada na sociedade como um distúrbio que necessita de acompanhamento médico especializado.

Preocupar-se com o corpo é saudável, mas como em tudo na vida, requer moderação.

Dr João Marcello Neto
Clínica Médica e Hepatologia
12/12/2016

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