Os tipos de Diabetes Melittus

Um importante grupo europeu, publicou agora em 2018 uma sugestão de reclassificação dos subtipos de diabetes que gerou grande discussão no meio acadêmico. O nome desta patologia deriva de duas expressões: diabetes, que em grego significa “sifão” (caracterizando o aumento de volume da urina, típico da doença não controlada), e mellitus, que em latim significa “adoçado com mel”. Então podemos dizer que os pacientes diabéticos apresentam uma alteração metabólica devido ao excesso de glicose no sangue e na urina que pode acarretar a curto e a médio/longo prazo a diversas alterações orgânicas de alta morbidade (desde infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, insuficiência renal, perda visual e até coma).

          Temos diversas causas para esta alteração glicídica (desde medicamentos, doenças genéticas, algumas infecções), sendo as duas principais etiologias o diabetes mellitus tipo 1 e o diabetes mellitus tipo 2, mas o que os diferencia?

O diabetes mellitus tipo 1 é o diabetes caracterizado pela diminuição súbita de produção de insulina (hormônio responsável por permitir a entrada de glicose nas células do organismo) pelo pâncreas devido a um processo autoimune. Ocorre uma destruição das células beta pancreáticas (responsáveis pela síntese e liberação da insulina) pelo sistema imunológico do próprio paciente, que leva uma queda abrupta da insulina (hipoinsulinemia) associada a aumento da glicose (hiperglicemia). Classicamente acomete mais indivíduos jovens (já foi conhecida como diabetes infanto-juvenil) sendo geralmente descoberta após sintomas clínicos mais exuberantes (tais como aumento do volume da urina, sede exacerbada, perda de peso com aumento do apetite e até casos de alteração do nível de consciência com acidose grave e coma). Como tratamento obrigatoriamente precisamos fazer uso da insulina pois temos uma carência deste hormônio.

Já o diabetes mellitus tipo 2 caracteriza-se por uma maior dificuldade de ação da insulina (temos uma alteração na sensibilidade do hormônio em sinalizar a entrada de glicose nas células) conhecida como resistência insulínica. Esta alteração ocorre por mecanismos multifatoriais sendo os mais importantes: envelhecimento, aumento da circunferência abdominal, dieta rica em carboidratos e/ou gorduras, sedentarismo e excesso de peso, além de hereditariedade (risco maior quando presente história familiar). Observamos um aumento progressivo da insulina sérica para contrabalançar essa maior dificuldade de ação hormonal, até um momento onde a resistência não consegue mais ser vencida ou o pâncreas não consegue mais elevar os níveis de insulina, gerando como consequência o aumento da glicose. Tipicamente envolve indivíduos mais velhos (já tendo sido conhecido como diabetes do adulto) com sobrepeso e/ou obesidade, podendo ser descoberta somente por exames de rotina pois geralmente o aumento da glicose ocorre de forma mais lenta porém progressiva, também podendo levar as mesmas complicações do diabetes mellitus tipo 1 (sendo ainda mais comuns as complicações cardiovasculares, como infarto e acidente vascular, devido as comorbidades comumente associadas como hipertensão arterial e aumento do colesterol). Como tratamento, podemos fazer uso de inúmeros medicamentos além da própria insulínica, tentando justamente atuar na redução da resistência insulínica.

Essa subdivisão é muito importante para definirmos a terapia adequada, mas diversos indivíduos não conseguem ser caracterizados em somente um subtipo, e outros podem apresentar outras patologias ou fazer uso de determinados tratamentos que podem interferir com o controle da glicose. Independente de qual o tipo de diabetes mellitus, a mudança do estilo de vida (controle da dieta com redução dos excessos de carboidratos e lipídios, atividade física regular e controle do peso corporal) é uma etapa fundamental na terapia que não deve ser negligenciada.

Alguma dúvida?

Gostaria de saber maiores informações? Procure seu endocrinologista, ele com certeza saberá orienta-lo e ajuda-lo da melhor maneira possível.

Dr Adriano Lacerda – Endocrinologista do Instituto Clinics

17/04/2018

2 Comentários em Os tipos de Diabetes Melittus

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