Os benefícios e riscos do treinamento funcional

Dr Guili Pech  
Cardiologista  
23/10/2016

Nos últimos anos, o chamado treinamento funcional tornou-se moda nas academias de todo o país.
Tratam-se de circuitos que têm como características principais a diversidade de exercícios, o curto período de realização das atividades, o pequeno intervalo de descanso entre as séries e a alta intensidade de utilização dos sistemas musculoesquelético e cardiovascular.
Nesse sentido, é preciso que o praticante entenda os aspectos positivos e negativos da modalidade, com o objetivo de maximizar os ganhos e diminuir os riscos atribuídos a esse tipo de treinamento.

Sem dúvida, o treinamento funcional traz benefícios enormes, em especial para aquelas pessoas que desejam emagrecer. É bem estabelecido que as atividades com alta intensidade e curto período de realização mantêm o gasto calórico do praticante alto mesmo após o término do exercício, o que contribui de forma ampla para o processo de emagrecimento.

Esse benefício, aliado a possibilidade de treinamento ao ar livre e com tempo otimizado, torna o “funcional” extremamente atrativo, o que explica seu “boom” atual.

No entanto, apesar dos comprovados benefícios, é importante discutir alguns aspectos controversos desses treinamentos: A não especificidade e os riscos potenciais a saúde.

Com relação ao primeiro, é habitual ver atletas, profissionais ou amadores, utilizado os circuitos funcionais para melhorar a performance em um determinado esporte. No entanto, muitas vezes os resultados podem ser frustrantes na medida em que se deixa de lado um ponto fundamental: a especificidade, definida como o direcionamento do treino de acordo com a modalidade que se pretende melhorar.

Nos treinos de luta para MMA, por exemplo, é comum ver praticantes realizando exercícios com marretas, cordas e até mesmos paraquedas, com o objetivo de melhorar o condicionamento físico e técnico. Entretanto, é interessante notar que essas atividades não permitem o controle adequado de cargas e frequência cardíaca, bem como tem pouca correlação técnica com as lutas.  Desse modo, os ganhos podem até existir, mas são limitados pelos métodos descritos.

Além disso, ao utilizar técnicas não habituais, como levantar ou arrastar pneus, o “treinamento funcional”, não permite o ajuste fino e gradual de cargas, o que pode aumentar o risco de lesões ortopédicas. Outro aspecto, e ainda mais preocupante, é a alta intensidade dos exercícios usualmente utilizados nos circuitos “funcionais”.

Essas atividades aceleram a frequência cardíaca de forma muito intensa, potencializando a chance de aparecimento de problemas cardíacos como o infarto agudo do miocárdio e arritmias, doenças muitas vezes assintomáticas na vida cotidiana de um indivíduo, mas que podem se manifestar apenas durante a rápida aceleração das batidas do coração.

Nesse sentido, é importante ressaltar que esse texto não tem como objetivo desencorajar a prática dos treinamentos funcionais. Pelo contrário, para indivíduos saudáveis, que procuram emagrecimento e bem-estar, as atividades são extremamente indicadas. No entanto, é recomendado que os interessados façam uma avaliação médica completa pré-treino, com o objetivo de minimizar os riscos associados, alinhar os objetivos desejados e, é claro, realizar esta atividade sempre sob a supervisão de um profissional capacitado.

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