O uso de Aspirina ajuda a prevenir o câncer de estômago

No Brasil, o câncer de estômago é o terceiro tumor mais incidente entre os homens e o quinto entre as mulheres e apresenta altas taxas de mortalidade. As principais formas de prevenção da doença são a ingestão de dieta balanceada composta por vegetais crus, frutas cítricas e alimentos ricos em fibra, além da interrupção do tabagismo e do consumo de bebidas alcoólicas. Além disso, a erradicação da infecção pelo Helicobacter pylori (HP) também mostrou reduzir o risco de desenvolvimento desse tipo de tumor.

Um estudo de Hong Kong investigou se o uso de baixas doses de aspirina em pacientes após a erradicação da bactéria HP estaria associado a redução do risco de desenvolvimento do câncer de estômago. Publicações anteriores já tinham apontado a aspirina como possível fator protetor para o câncer gástrico. Entretanto, o resultado desses estudos pode ter sido confundido pela presença da infecção por HP, considerado como o principal fator de risco da doença.

O estudo honcongonês foi realizado em mais de 63.000 pacientes que tiveram o HP erradicado com sucesso previamente. Os autores relataram que o uso de aspirina pelo menos uma vez por semana associou-se a redução de 70% no risco de desenvolvimento de câncer de estômago nesse grupo de indivíduos. Isso se traduz em uma diferença absoluta de 2.5 vezes menos casos de câncer de estômago por 10.000 pessoas – ano.

Além disso, o uso diário da aspirina, assim como doses superiores a 100mg e longa duração do tratamento associaram-se aos menores riscos de câncer gástrico. Ou seja, o efeito protetor relacionou-se à dose, à frequência e à duração do uso do fármaco.

Apesar dos resultados encorajadores, os riscos potenciais do uso crônico de aspirina, principalmente o desencadeamento de sangramento gastrointestinal, deve ser levado em conta antes de se indicar seu uso como forma de quimioprevenção.

De qualquer forma, os resultados desse estudo são relevantes principalmente para os países ocidentais, onde a prevalência de infecção por H. pylori é menor, pois a aspirina demonstrou manter a atividade protetora mesmo após a erradicação dessa bactéria.

Dr Flavio Sabino – Cirurgião Oncológico Esôfago e Estômago

25/02/2018

 

 

 

 

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