O sono da mulher

A expectativa de vida do brasileiro alcançou a maior média da história.

A projeção divulgada pelo IBGE mostrou que a longevidade chegou a 76 anos. Um salto de 22 anos em relação ao registrado na década de 1960, por  exemplo, quando a média chegava a 54.

Em relação à longevidade, o estado com maior expectativa de vida o Brasil é Santa Catarina com 79,66 anos, logo em seguida estão Espírito Santo (78,2 anos), Distrito Federal (78,1 anos) e São Paulo (78,1 anos). O Rio de Janeiro aparece em oitavo lugar, segundo o IBGE.

Considerando isso, passamos 1/3 da vida no “climatério”, ou seja, o período da vida feminina que ocorre a transição entre o período reprodutivo para o não-reprodutivo. Nesta fase, ocorre a menopausa, ou seja, a última menstruação.
Durante a transição menopausal, sintomas como os calore (“fogachos”) acompanhados de sudorese, depressão, ansiedade, insônia, dentre outros, são bastante comuns. A queda dos hormônios femininos pelo esgotamento dos folículos ovarianos é o principal responsável pelo aparecimento de tais sintomas.
Segundo um grande estudo brasileiro em 2007, 32% das mulheres queixavam-se de insônia. Esta taxa aumenta para mais de 50% na pós-menopausa!

O termo “insônia” refere-se a uma condição caracterizada pela dificuldade de iniciar e/ou manter o sono, acompanhada de um comprometimento diurno importante, como cansaço, irritabilidade, sonolência, queixa de perda de memória, etc.

Vários fatores têm sido associados à insônia nesta fase da vida, incluindo doenças clínicas e/ou psiquiátricas como depressão ou ansiedade, mudanças ambientais, higiene do sono, uso de medicamentos, alterações no “relógio biológico”, incontinência urinária, obesidade, mudanças de estilo de vida e alterações metabólicas.

Associações com a distribuição corporal de gordural (ex. gordura central, chamada de visceral), índice de massa corporal (IMC) elevado, presença de apneia do sono (interrupções da respiração durante o sono) e o sedentarismo também são frequentes nas pacientes com dificuldade em dormir. Em estudo publicado em jan/2017 na revista Climacteric, foi demonstrado que a qualidade do sono está positivamente associada com o aumento da qualidade de vida relacionada à saúde e da aptidão física. Portanto, a diminuição da massa gorda e a realização de atividade física seriam instrumentos importantes na redução de distúrbio do sono nesta população.

A terapia de reposição hormonal, assim como o uso de isoflavonas, presentes na soja e seus derivados, também parece melhorar a qualidade do sono nas mulheres pós-menopausadas. Mas é importante avaliar os riscos e benefícios individuais de cada mulher junto ao seu ginecologista para definir o início deste tipo de tratamento.
A instrução de medidas comportamentais do sono é fundamental para sua qualidade em qualquer faixa etária. Horários regulares para dormir e acordar, a prática dos exercícios físicos pela manhã e refeições leves à noite também são sempre estimuladas.

Alguns estudos já demonstraram também benefícios dos parâmetros do sono com a prática de yôga e exercícios aeróbicos. Cuide do seu sono e da sua saúde.

Dra Luciane Mello – Otorrinolaringologista e Medicina do Sono
02/03/2017

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