O que o mar mediterrâneo nos ensinou sobre a prevenção de câncer.

A dieta mediterrânea é composta por grande quantidade de vegetais, frutas, cereais integrais, peixe, aves, gorduras insaturadas derivadas do azeite de oliva e uma moderada ingestão de vinho tinto durante as refeições. Muitos cientistas ficaram interessados em pesquisar possíveis benefícios desses alimentos quando observaram que a população de países banhados pelo mar mediterrâneo (como Grécia, Itália e Croácia) possuíam menores taxas de mortalidade por doenças cardiovascular e câncer.

Especificamente em relação ao câncer, um grande trabalho publicado no International Journal of Cancer (2014) fez uma revisão de diversos estudos, incluindo mais de 1,4 milhão de indivíduos, para investigar os efeitos da adesão à dieta mediterrânea no desenvolvimento de tumores malignos e seus diferentes subtipos (por exemplo, câncer colorretal, mama, gástrico e pâncreas).

O estudo concluiu que uma dieta rica em alimentos mediterrâneos foi capaz de reduzir o risco médio de câncer em até 10% – com redução de 14% para o câncer colorretal e 4% para o câncer de próstata.

Atualmente, é bem estabelecido que a alimentação desempenha um importante papel na gênese do câncer através de vários mecanismos, como a supressão de mutações espontâneas e influência direta no DNA na morte natural e programada das células (apoptose). A dieta mediterrânea é rica em gorduras, porém gorduras saudáveis (ácidos graxos insaturados) derivados principalmente do azeite de oliva. Esse tipo de óleo contém componentes químicos fenólicos que parecem exercer proteção celular através de efeitos antioxidantes, influência na sinalização celular das células cancerígenas e na progressão de seu ciclo de divisão.

Os alimentos ricos em fibra, como os grãos integrais, vegetais e frutas podem reduzir o risco de câncer colorretal através de alguns mecanismos, como a aceleração do trânsito intestinal por melhor formação do bolo alimentar. Além disso, as fibras são fermentadas pelas bactérias intestinais a ácidos graxos de cadeia curta, que parecem favorecer a diferenciação celular normal, reduzindo o risco de câncer.

A redução no risco de câncer de próstata pode estar relacionada ao elevado consumo de tomates. Estudos experimentais observaram que o licopeno, o componente funcional mais relevante dos tomates, possui efeitos benéficos na prevenção do câncer devido a um efeito redutor da resposta inflamatória.

Em relação ao consumo de álcool, é importante frisar que a dieta mediterrânea estabelece um limite máximo de 20g/dia de etanol, dando foco à ingestão de vinho tinto que é associado à redução de mortalidade cardiovascular por ação dos polifenóis. Bebidas alcoólicas que promovem ingesta acima de 30g/dia de etanol estão relacionadas ao aumento do risco de câncer!

Portanto, a dieta mediterrânea, além de incluir alimentos deliciosos, vem cada vez mais se estabelecendo como uma forte aliada na prevenção de doenças cardiovasculares e do câncer.

Que tal um filé de peixe grelhado com tomate, salada e azeite para o jantar de hoje?

Dr. Rafael Addum
Clínica Médica
14/10/2006

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