O aumento de casos da hepatite A em São Paulo.

Recentemente, foram divulgados dados que evidenciam o aumento do número de casos de hepatite A em São Paulo no ano de 2017 quando comparado com o mesmo período do ano anterior.

A hepatite A é uma doença causada por um vírus e transmitida por via fecal-oral. Isto significa que após a infecção, a pessoa passa a eliminar vírus nas fezes e, desta forma, a doença se propaga a outras pessoas.

Na maioria das vezes, a doença ocorre sem gerar sintomas. Em alguns casos, há sintomas brandos comuns à várias infecções virais, como febre, mal-estar, prostração, dor no corpo, dentre outros.

O problema é que em um grupo reduzido de pessoas, a infecção pode adquirir um caráter agressivo e levar à hepatite grave. Em raros casos, há evolução para hepatite fulminante que é uma manifestação que pode levar à óbito. É imprevisível saber quem são as pessoas que apresentarão as manifestações graves da doença.

Por isto, a melhor forma de se proteger da hepatite A é a prevenção. Trata-se de uma doença com vacina de alta eficácia disponível no Brasil. O SUS limita sua distribuição gratuita a alguns grupos populacionais. Em clínicas privadas, a vacina é encontrada isolada ou combinada com a vacina contra hepatite B.

Outra forma de se proteger é evitar locais sem saneamento básico, onde pode haver o consumo de água e alimentos contaminados com esgoto doméstico.

Os casos que têm ocorrido em São Paulo no ano de 2017 se concentram em homens adultos. É possível que parte destes casos sejam relacionados à prática de sexo oral na região anal. Embora os casos com esta forma de transmissão sejam mais comuns em homens que fazem sexo com homens, qualquer pessoa que se submeta a esta prática está em potencial risco. Como a maioria das pessoas que estão com esta infecção não tem sintomas da doença, são potenciais transmissores.

Este padrão de aumento de casos ocorrido em São Paulo foi descrito também, recentemente, em países europeus e em regiões urbanas dos EUA.

Como “cautela e canja de galinha não fazem mal à ninguém”, a dica é tomar a vacina e fica protegido. Embora a vacina seja administrada em duas doses com intervalo de 6 meses, após a primeira dose, a maior parte das pessoas já adquire imunidade. Procure seu médico e se informe sobre a indicação desta vacina.

Dr João Marcello Neto é Hepatologista do Instituto Clinics.

17/10/2017

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nosso endereço
Fórum de Ipanema
Rua Visconde de Pirajá 351, sala 614 . Ipanema - RJ
Telefones: (21) 2267-5384 e 99246 4696
Siga-nos!