Mulheres, cuidem do seu coração.

Dra Luciana Rego
Clínica Médica
13/03/2017

As doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes em mulheres no Brasil.
Este dado alarmante e de extrema relevância faz com que, nós mulheres, estejamos atentas à prevenção dessa patologia.

Assim como nos homens, os principais fatores que aumentam seu risco são: hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, sedentarismo, dislipidemias (distúrbios do colesterol), uso de anticoncepcionais (sobretudo se associado ao tabagismo), obesidade e história de doenças cardíacas na família.

A obstrução dos vasos que irrigam o coração, as artérias coronárias, é o que denominamos de doença coronariana, que é a causa do infarto. Este, por sua vez, consiste na morte do tecido muscular do coração por falta de irrigação, acarretando um comprometimento na função de bomba do coração, levando à insuficiência cardíaca.

O diagnóstico das doenças coronarianas nas mulheres pode ser mais difícil e mais tardio por diversos fatores, o que aumenta sua chance de complicações. Os sintomas clássicos da angina típica como dor no peito em aperto, com irradiação para o braço esquerdo ou mandíbula podem ser menos proeminentes. O “ infarto silencioso”, ou seja, na ausência da dor torácica também é sensivelmente mais comum nelas.

Além disso, no grupo feminino também ocorre com maior frequência o infarto sem achados específicos do eletrocardiograma. Outro fator determinante nessa diferença entre os gêneros, é a menor suspeição tanto por parte das próprias pacientes, quanto da equipe de saúde, em relação à essa etiologia, já que se trata de uma doença mais relacionada ao sexo masculino.
No sexo feminino, há também maior frequência de transtornos de ansiedade e fatores psicossociais que podem maquiar os sintomas da doença isquêmica.

Vale ressaltar que, na mulher, há também maior ocorrência de doenças mais raras, que também podem se manifestar com dor torácica como a cardiomiopatia induzida pelo estresse, a síndrome cardíaca X e as dissecções e vasculites coranarianas.
O maior risco da doença cardíaca acontece a partir dos 45 anos, um pouco mais tarde do que nos homens, o que se justifica pelo início do período da menopausa, e, consequentemente, menor produção dos hormônios femininos como o estrogênio, que agem de forma protetora no coração.

Outra peculiaridade é que as mulheres têm maior propensão a cursar com comprometimento da função do coração (insuficiência cardíaca) após um infarto, ou seja, o infarto pode implicar em maiores sequelas, maior letalidade e maior comprometimento da qualidade de vida. Principalmente se essas mulheres já forem diabéticas , portadoras de fibrilação atrial, disfunções renais, hipertensão arterial, obesidade, tabagistas, ou já com histórico de um primeiro infarto prévio.

Portanto, mulheres com fatores predisponentes ou dores torácicas recorrentes não devem negligenciar o problema e devem procurar seu médico para a avaliação quanto à doença coronariana.

Esta avaliação poderá ser feita pela entrevista e exame clínico apurados.
Quanto mais fatores de risco na paciente, maiores chances de haver doença isquêmica do coração. Há diversos exames disponíveis para essa investigação, como o teste de esforço
(teste da esteira), ecocardiograma de estresse, cintilografia miocárdica, angiotomografia de coronárias e a cineangiocoronariografia ( o “cateterismo”).
Não existe um teste que seja ideal para todos as pessoas, portanto mulheres, cuidem bem do seu coração!

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