Jejum intermitente

O consumo excessivo de alimentos pode levar a diversos distúrbios metabólicos bastante conhecidos como acúmulo de gordura visceral, resistência insulínica e obesidade.

Os seres humanos, no mundo ocidental, habituaram-se a consumir alimentos em refeições, geralmente, 3 vezes por dia (café-da-manhã, almoço e jantar). Demais animais na natureza alimentam-se, na maioria das vezes, à vontade ou quando há disponibilidade de alimentos.

Na natureza, em geral, os animais encontram-se em ambientes onde a comida é escassa. Com isto, há diversas adaptações naturais do organismo para manter suas funções durante períodos de privação de alimentos.

O termo jejum intermitente engloba padrões alimentares em que uma pessoa passa de forma recorrente por longos períodos sem se alimentar e que são intercalados com momentos de alimentação normal. Nos últimos tempos, os períodos de jejum de 16 horas ganharam bastante popularidade.

Estudos sugerem que a alimentação com jejum intermitente pode apresentar bons desfechos em parâmetros metabólicos de indivíduos com diabetes, doenças cardiovasculares e outras comorbidades. Além disto, o jejum alimentar também pode se associar a perda de peso. Estima-se que o jejum intermitente seja melhor aceito por pessoas obesas do que os planos de restrição calórica comum.

Vale ressaltar que a maioria dos estudos avaliaram modelos animais e não humanos.

Os mecanismos celulares e moleculares que podem explicar estes desfechos ainda estão sob estudo. É possível que a ativação de mecanismos adaptativos celulares de resposta ao estresse possam justificar parte da resposta metabólica a este padrão alimentar.

Todavia, é importante salientar que são necessários estudos mais complexos com randomização, controle e mascaramento para que se possa tirar conclusões concretas sobre os efeitos deste tipo de padrão alimentar no organismo humano.

Por fim, é importante ressaltar que a alimentação, além de essencial à vida, é um ato social e de prazer. É preciso também avaliar a satisfação pessoal com este tipo de dieta. Grande parte da população tem dificuldade de manter um jejum prolongado e podem apresentar sintomas como fraqueza, tonteira e cefaleia. Como em tudo na vida, a escolha de um plano alimentar deve ser individualizado e orientado por um profissional habilitado.

Bibliografia:
Mattson MP, et al. Impact of intermittent fasting on health and disease processes. Ageing Research Reviews 2016.
Harvie M, et al. The effect of intermittent energy and carbohydrate restriction v. daily energy restriction on weight loss and metabolic disease risk markers in overweight women. The British Journal of nutrition 2013.

 

Dr João Marcello Neto – Clínica Médica e Hepatologista
Dra Nathalie Moraes – Endocrinologista
30/03/2017

2 Comentários em Jejum intermitente

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