Isquemia de membros inferiores. Você sabe o que é?

A isquemia de membros inferiores é caracterizada pelo depósito de gordura na parede interna das artérias dos membros inferiores. Este depósito de gordura leva à formação da chamada placa de ateroma, provocando uma obstrução do fluxo sanguíneo, que se chama estenose. Esta doença também é conhecida como Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP).

E como identificar os sintomas?

O principal sintoma é caracterizado pelo surgimento de dores nas pernas, principalmente nas panturrilhas, durante uma caminhada. A dor vai aumentando de intensidade conforme o tempo e a distância da caminhada, levando o paciente a interrompê-la. Isto faz com o paciente possua uma caminhada “intermitente”, ou seja, caminhe por certa distância e tenha que descansar (em pé) por alguns minutos até reiniciar a caminhada, e assim sucessivamente.

Geralmente esta é a manifestação inicial da doença, pois nesta fase a artéria é capaz de fornecer suprimento sanguíneo adequado para os músculos das pernas em repouso. Porém com início do exercício físico a demanda de oxigênio e consequentemente de sangue dos músculos aumenta, e com a artéria obstruída isso não acontece, causando dores conforme o exercício aumenta. Esta é uma fase que muitas vezes não é percebida pelos pacientes que não tem o hábito de realizar caminhadas, por diversos motivos (sedentarismos, problemas ortopédicos, doenças cardíacas e etc.).
Conforme a gravidade e o aumento da obstrução ao fluxo sanguíneo outros sintomas podem surgir, levando ao quadro conhecido como isquemia crítica.

Neste caso são duas as manifestações principais:

1 – Dor em repouso:
Nesta situação o suprimento sanguíneo está tão comprometido que fica incapaz de fornecer o mínimo necessário para o metabolismo do membro, mesmo em repouso. Isto leva à dor contínua nos pés e panturrilhas, provocando uma piora importante da qualidade de vida do paciente, devido ao uso contínuo de analgésicos e dificuldade ou incapacidade de dormir. Esta dor piora muito quando o paciente deita, fazendo com que o mesmo só consiga dormir sentado e com as pernas pendentes.

2 – Surgimento de feridas: Aqui o comprometimento circulatório leva à necrose dos tecidos no membro, principalmente nos dedos. Estas feridas geralmente surgem após um traumatismo, que não cicatrizam, pois, o suprimento sanguíneo está comprometido, ou podem surgir de maneira espontânea. Estas feridas podem ser secas, com o aspecto de um dedo mumificado ou com saída de secreção e odor fétido (ferida infectada).

Uma outra manifestação bastante típica da isquemia das pernas é a chamada cianose de extremidades, ou seja, a presença de coloração azulada ou arroxeada nos dedos, além da sensação de dedos muito gelados.
E como é feito o diagnóstico?

Este diagnóstico é realizado através da anamnese (conversa com o paciente) e exames físicos bem realizados. Não é necessário a realização de exames complementares para o diagnóstico desta doença, exceto em caso onde existe alguma dúvida após as etapas descritas acima.
Alguns exames complementares (EcoDoppler em cores, AngioTomografia Computadorizada, Angio Ressonância Magnética ou Arteriografia) devem ser solicitados em pacientes com indicação cirúrgica e nestes casos tem como objetivo possibilitar um planejamento operatório adequado.

Esta doença é muito comum?

Esta é a doença que mais acomete as artérias periféricas, estando presente em cerca de 3 e 10% da população, podendo chegar a 20% nos pacientes acima de 70 anos.
Apesar de bastante frequente, esta é uma doença assintomática e pode permanecer estável na maioria dos pacientes (75% dos casos). Os 25% dos casos restantes evoluem para a isquemia crítica, descrita anteriormente, podendo terminar em amputação em cerca de 1 a 3% destes casos.
Além do risco de amputação, esta doença é um importante alerta para problemas cardiocirculatórios, tais como infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC ou Derrame).

Quais são os fatores de risco e como prevenir esta doença?

Os principais fatores de risco são: tabagismo, diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado, sedentarismo e insuficiência renal crônica.
Como em qualquer doença, a medida mais eficaz para prevenção é o controle dos fatores de risco.
A medida isolada mais eficaz para a prevenção e controle desta doença é a caminhada. Inicialmente ela será bastante dolorosa e frustrante, pois o paciente não conseguirá caminhar por longas distâncias sem parar várias vezes.
Porém com o tempo, a circulação tende a melhorar através do desenvolvimento da chamada “circulação colateral”, que consiste em “vias alternativas” para a passagem do sangue. Estas vias podem se tornar tão eficientes quanto as artérias principais, se adequadamente estimuladas com o exercício físico.

E como é o tratamento?

Este é um tratamento que envolve a adoção das medidas de prevenção, descritas acima, EM TODOS OS PACIENTES.
Os casos mais graves devem ser tratados cirurgicamente, e existem duas técnicas principais: A primeira é a cirurgia convencional, que consiste na confecção de pontes ou “by pass” e a segunda é a cirurgia Endovascular, que consiste na dilatação das obstruções utilizando cateteres, balões e stents.
Em alguns casos podemos combinar as duas técnicas para melhores resultados, chamando este procedimento de cirurgia híbrida.

Toda obstrução de artérias deve ser tratada cirurgicamente?

Não. As obstruções arteriais podem ser assintomáticas ou discretamente sintomáticas, que são aqueles pacientes que só param depois de algum tempo de caminhada. Nestes casos não está indicado o tratamento cirúrgico, somente o tratamento medicamentoso já apresenta excelentes resultados.

E quais seriam os casos graves?

São os casos de pacientes com isquemia crítica, ou seja, dor em repouso ou com feridas. Nestas situações o risco de evolução para amputação se não tratados de forma correta e em tempo hábil é grande.
Indica-se então o tratamento cirúrgico, mas sempre associado ao tratamento medicamentoso.

A angioplastia é a melhor, já que não tem cortes?

Depende do caso.
Um conceito importante para o entendimento da melhor técnica a ser escolhida é a “durabilidade” da cirurgia, ou seja, por quanto tempo aquela técnica será eficaz na manutenção de fluxo sanguíneo adequado ao membro.
As técnicas, tanto a endovascular quanto a convencional, apresentam durabilidades distintas, dependo da região afetada e de fatores específicos do paciente, tais como sexo, idade e cirurgias anteriores.
Se ambas as técnicas apresentarem resultados e riscos semelhantes para o mesmo caso, procuramos indicar o tratamento endovascular.

Qual especialidade médica devo procurar?

O especialista para o tratamento desta doença é o cirurgião vascular.
Porém o mais importante é o paciente procurar um profissional com experiência, pois somente ele poderá esclarecer sobre os resultados e também os riscos esperados para cada uma das técnicas, ajudando na escolha do método de tratamento ideal para cada caso.

 

Dr Marcio Filippo
Cirurgião Vascular e Endovascular
27/04/2017

6 Comentários em Isquemia de membros inferiores. Você sabe o que é?

  • Muito bom.minha mãe está esquemia .foi através vcs corri com ela pro.hospiral Deus abençoe

  • OK, OBRIGADO PELAS INFORMAÇÕES.

  • sinto dor em repouso na lateral da perna esquerda do joelho ate o tornozelo.Acordo durante a noite com dor forte que so melhora ao sair da cama e caminhar dentro de casa.Somente isso, nao tenho outros sintomas.Perna e pe de coloracao normal.Nao fumo enao bebo,65 anos.

    • Olá Vera Lucia, se for de seu interesse agende uma consulta com o Dr Marcio Filippo. Ele atende alguns planos de saúde. Obrigada.

  • Doutor minha avó tem 103 anos e está com isquemia crítica no pé , na idade dela é possível uma cirurgia ou algum tratamento ?

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