Hoje é o Dia Mundial de Combate a Tuberculose.

Dr Rafael Pottes
Pneumologia
24/03/2017

Dia 24 de Março é o dia internacional de uma doença, que luta, persevera, muda, se adapta, resiste e que, ultimamente, também luta por Igualdade de Classes. É o Dia Internacional do combate à Tuberculose.

De Noel Rosa a Allan Poe, de Augusto dos Anjos a Thiaguinho, Goethe a Castro Alves, Kafka a Jose de Alencar e, dentre muitos e muitos outros, a doença se alastrou por todo o mundo e permanece muito mais perto do que imaginamos, tendo como seu grande trunfo o fato de imaginarmos que ela não existe mais.

Descrita pela primeira vez em 1882 e tendo seu auge na Europa do século 19, a tuberculose continua sendo a doença infecciosa que mais mata no mundo. Segundo a ONU, tivemos cerca de 9,6 milhões de casos novos e 1,5 milhão de mortes pela doença em 2016 em todo o mundo. Ainda assim parecem dados de uma enfermidade distante, restrita a condições específicas de precariedade extrema.

Infelizmente a nossa realidade é exatamente o oposto do que imaginamos. O Rio de Janeiro tem o triste recorde nacional de casos novos e também de mortes pela doença, e em ambas as estatísticas com o dobro da média nacional. Óbvio que a esmagadora maioria dos casos se concentra nos conglomerados urbanos, só que nos últimos 12 meses estamos presenciando um aumento significativo de casos de tuberculose na rede privada de saúde.

No ano passado, tivemos 15 casos confirmados de tuberculose no Hospital Copa D’or, contra 3 a 4 casos anuais nos 5 anos anteriores.
No Hospital Federal Cardoso Fontes as internações por tuberculose no mesmo período quadruplicaram, se comparado ao ano de 2015, uma demonstração clara da doença em todas as classes sociais.

Seus principais sintomas são: tosse persistente por mais de 15 dias, febre baixa recorrente, emagrecimento e suores noturnos. Embora a Tuberculose possa se apresentar de inúmeras formas e acometer quase todos os nossos órgãos.

A decadência do Sistema de Saúde Pública, desinformação, pobreza, aglomeração e falta de higiene são alguns do fatores primordiais para o crescimento da tuberculose no Estado do Rio de Janeiro, mas é importante rever toda a estratégia atual no combate à doença.
Não é aceitável que tenhamos no Rio de Janeiro uma taxa de abandono do tratamento de 14%, quando a meta da Organização Mundial de Saúde é menor que 5%, sendo o remédio fornecido gratuitamente pelo SUS.

Esta é uma doença facilmente curável e sem custos no seu tratamento. Ele dura, no mínimo seis meses, podendo chegar até a um ano, e dependendo do caso, o paciente pode apresentar melhora significativa logo nas primeiras semanas. É fundamental que o paciente realize o tratamento durante todo o período mesmo diante da aparente melhora, caso contrário a doença pode voltar ainda mais resistente.

Portanto, se você apresenta ou conhece alguém que tenha os sintomas descritos acima, procure ou oriente a visita imediata a um médico capacitado para o diagnóstico da tuberculose.

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