Alzheimer. Existe uma forma de prevenir a doença ?

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência na população, responsável por 60 a 80% dos casos e afeta cerca de 34 milhões de pessoas pelo mundo, especialmente os idosos.

Seus sintomas incluem perda de memória, déficits cognitivos, dificuldade para realizar as tarefas do cotidiano e, mais tardiamente, distúrbios neuropsiquiátricos e de comportamento.
Conforme a tendência demográfica de envelhecimento da população, é cada vez mais comum a preocupação com formas de prevenção de demência – mas será que existe alguma maneira de nós, desde jovens, evitarmos o aparecimento dos sintomas do Alzheimer no futuro?

É importante entendermos que há alguns fatores de risco que não podemos modificar – como por exemplo a idade e o componente genético. Estamos sujeitos a um risco aumentado de demência conforme envelhecemos e conforme dita nosso DNA.

No entanto, está cada vez mais estabelecida a relação de diversos fatores de risco modificáveis e a doença de Alzheimer. São eles: o diabetes, a hipertensão, a obesidade, o tabagismo, a depressão, o baixo nível de escolaridade e o sedentarismo.

Juntos, esses 7 fatores de risco contribuiriam para até metade dos casos dessa forma de demência. Se fossem reduzidos em 10 a 25%, estaríamos prevenindo cerca de 1,1-3,0 milhões de casos de doença de Alzheimer pelo mundo.

Dessa forma, os fatores de risco cardiovasculares – especialmente o diabetes, hipertensão, obesidade e tabagismo – devem ser devidamente tratados como forma de evitar alterações cognitivas ao envelhecer.

Outras formas de prevenção já foram propostas, como o suplemento de substâncias antioxidantes (vitamina E, flavonoides, betacaroteno e vitamina C). Porém os estudos científicos não são consistentes e possuem fraca evidência de um benefício real. Dessa forma, a ingestão dessas substâncias não é recomendada.

A alimentação parece também influenciar no risco de desenvolvimento de doença de Alzheimer. A dieta mediterrânea, rica em vegetais, frutas, grãos integrais, sementes e óleos derivados do azeite de oliva, reduz o risco cardiovascular e assim contribui de modo indireto ou direto para a menor ocorrência de demência nas populações que seguem esse tipo de dieta. No entanto, estudos científicos de maior impacto são necessários para confirmar o impacto que modificações alimentares possam ter no aspecto cognitivo.

Alguns medicamentos foram estudados na prevenção das demências, incluindo as estatinas, anti-inflamatórios e substâncias naturais como o Ginkgo biloba. No entanto, os pacientes que tomaram essas medicações não apresentaram benefícios reais, mostrando-as ineficazes.

Em resumo, estamos longe de encontrar uma forma simples de prevenir a doença de Alzheimer. A manutenção de um hábito de vida e dieta saudáveis e a realização de atividades cognitivas e sociais devem ser estimuladas, embora saibamos que essas intervenções necessitem de mais estudos para comprovação.

Dr. Rafael Addum
Clínica Médica
09/02/2016

FONTE: BARNES, D. E.; YAFFE, K. The projected effect of risk factor reduction on Alzheimer’s disease prevalence. Lancet Neurol, v. 10, n. 9, p. 819-28, Sep 2011. ISSN 1474-4465.

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