Esofagectomia Robótica – uma inovação no tratamento do câncer de esôfago

A cirurgia para retirada do esôfago (esofagectomia) permanece como pilar fundamental no tratamento do câncer de esôfago, mas constitui um procedimento desafiador  para o cirurgião principalmente por conta das características anatômicas do esôfago e das estruturas circunvizinhas.

Tradicionalmente, essa cirurgia é realizada pela via aberta ou convencional, na qual são necessárias grandes incisões (cortes) nas regiões do tórax e do abdômen. Mais recentemente, a abordagem cirúrgica minimamente invasiva ou laparoscópica, na qual o cirurgião opera através de pequenas incisões no tórax e no abdome, mostrou ser capaz de reduzir o trauma cirúrgico provocado pela via aberta, diminuindo as taxas de complicação de e mortes relacionadas ao procedimento ao mesmo tempo em que não compromete os resultados oncológicos.

Contudo, apesar de representar um grande avanço técnico, a laparoscopia ainda apresenta limitações intrínsecas ao método, tais como visão em duas dimensões, coordenação olhos-mãos reduzida e uso de instrumentos com pouca liberdade de movimentos.

As plataformas robóticas foram desenvolvidas para superar as limitações da laparoscopia, oferecendo um sistema de visão magnificada estável em três dimensões e instrumentos articulados especiais que permitem maior grau de liberdade de movimentos.

Além disso, o robô filtra os tremores do cirurgião e restaura a coordenação natural olhos-mãos. Esses benefícios técnicos permitem a visualização precisa dos planos de dissecção, mesmo na cavidade torácica onde as estruturas estão em movimento provocado pela respiração e pela pulsação da aorta e do coração.

Dessa forma, é possível que o cirurgião realize uma dissecção extensa e minuciosa de linfonodos (gânglios linfáticos) em áreas pouco acessíveis pela via toracoscópica convencional, o que pode otimizar o resultado oncológico para o paciente.

            Os dados de literatura sugerem que a esofagectomia por via robótica é segura e factível.

Esse ano foi publicado na prestigiosa revista científica Annals of Surgery um estudo holandês muito bem desenhado e executado. Os autores comparam a esofagectomia por via aberta com a esofagectomia robótica para o tratamento do câncer do esôfago e da junção esôfago-gástrica.

Os resultados foram amplamente favoráveis à cirurgia robótica em termos de redução das taxas de complicação cárdio-pulmonares, menos dor pós-operatória, melhor qualidade de vida e melhor recuperação funcional pós-operatória. Dessa forma, o uso do robô se apresenta como uma nova tecnologia  que pode melhorar a qualidade da ressecção oncológica, oferecer maior conforto e segurança ao cirurgião e reduzir a incidência de complicações associadas à esofagectomia.

 

Dr Flavio Sabino – Cirurgião Especializado em Esofagectomia

 

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