Endocrinologia geral, metabologia, diabetes e obesidade. O que há de novo?

Na Endocrinologia, tivemos a consolidação do protocolo de abordagem das doenças tireoidianas nodulares (liberado pela American Thyroid Association em 2016) criando uma uniformização na conduta com melhores resultados para os pacientes. Houve também importantes posicionamentos das Sociedades de Endocrinologia (incluindo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) sobre reposição hormonal, tanto masculina quanto feminina, com orientação das indicações precisas e eventuais contraindicações, e alertando sobre o excesso de suplementação adotado por alguns colegas, principalmente em pacientes sem critérios clínicos adequados. Novos critérios foram protocolados para o diagnóstico de deficiência de vitamina D3 (sendo agora definidos como alterados somente níveis de 25OHVitamina D3 < 20 em pacientes previamente saudáveis)

Na Metabologia, foram identificadas importantes mecanismo enzimáticos envolvidos na resistência insulínica (passo primordial no diabetes mellitus tipo 2) além da confirmação da importância dos depósitos de gordura ectópica (padrão centrípeto, com aumento de gordura visceral com acúmulo excessivo em órgãos, se destacando fígado e pâncreas principalmente) e da falta da gordura periférica (principalmente em região pélvica e membros inferiores) configurando o padrão de lipodistrofia parcial. Com relação as Dislipidemias (caracterizadas pelo aumento de triglicerídeo e/ou colesterol) tivemos a chegada ao mercado de 2 novos fármacos (evolocumabe e alirocumabe que possuem ação antagonista na enzima PCSK9), já liberados pela ANVISA em 2016, com ótima resposta na redução dos colesterol total (a níveis nunca imaginados) com comprovação da redução dos índices de complicações ateroscleróticas (infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico) porém ainda de custo bastante alto (estando mais restrito aos casos familiares de hiperlipidemias primárias graves). Houve também a liberação da nova Diretriz Brasileira de Dislipidemia e Prevenção da Aterosclerose (que envolveu a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) com novos critérios de tratamento e de alvo para a terapia.
Com relação ao Diabetes Mellitus, a grande novidade reside na pequena melhora do custo do tratamento, principalmente com a chegada de novas apresentações combinadas (mais de um remédio no mesmo comprimido, o que favorece uma melhor adesão ato tratamento por parte dos pacientes e um menor custo que a terapia individual) além de maior concorrência na Indústria Farmacêutica (novos fármacos disponíveis, das classes já liberadas para tratamento, reduzindo em geral os preços).

Para os pacientes dependentes de insulina (principalmente para aqueles portadores de Diabetes Mellitus tipo 1) a introdução de novas tecnologias, tento na aferição das glicemias capilares quanto no manejo das insulinas (principalmente através do uso de bombas de aplicação), vem ocorrendo a passos largos não sendo nada utópico considerarmos a possibilidade de um pâncreas artificial num futuro próximo.
Na Obesidade, tivemos o reconhecimento da importância do chamado relógio biológico, no ciclo circadiano alimentar (onde devemos nos alimentar mais ao longo do dia e reduzir a ingesta a noite) com o ganho do Nobel de Medicina pelos norte-americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young (descobridores do gene clock). Grandes discussões acerca de métodos de dieta adentraram a mídia e as redes sociais, sendo amplamente discutidos e debatidos no congressos e simpósios da área, com reconhecimento da importância da baixa ingestão de carboidratos como um dos principais pilares de uma dieta visando perda de peso. Ocorreu também a aprovação de uma nova medicação para o tratamento da Obesidade (locarserina), já liberada pelo FDA (órgão americano de fiscalização de remédios e alimentos), se tornando mais um arsenal disponível para esta doença crônica de alta prevalência e importância (um dos principais problemas de saúde segundo a Organização Mundial da Saúde). Ainda com relação a Obesidade, tivemos a indicação de Cirurgia Bariátrica ampliada pelo Ministério da Saúde (incluindo obesidade grau 2, aquela com IMC entre 35 – 40, com novas comorbidades associadas ao excesso de peso).
Para este ano, aguardamos os desfechos de grandes estudos visando segurança do ponto de vista cardiovascular para as drogas antidiabéticas além de avaliações de possíveis novos campos para avanços científicos na abordagem e tratamento dos quadros metabólicos e de obesidade.

Dr. Adriano Machado de Lacerda – Endocrinologia

13/04/2018

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