Detecção precoce do cancêr de cólon e reto

Dr. Antônio Felipe Santa Maria.
Cirurgia Geral e Cirurgia Oncológica
08/09/2016

Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o biênio 2016/2017, a neoplasia maligna do intestino grosso (também chamado de câncer de cólon) é o segundo câncer mais comum na região sudeste e o terceiro na região sul do Brasil. Estes tumores são responsáveis por mais de 15 mil mortes anuais no Brasil representando sem dúvida um grande problema de saúde.

Em nosso país, infelizmente, apesar de todo artesanal diagnóstico e terapêutico que dispomos atualmente, na maioria dos casos, o diagnóstico ainda é feito em fases avançadas da doença. Isto significa que o tumor já se espalhou além do intestino para outros órgãos (metástases). Estes casos são de difícil tratamento.

De forma oposta, quando o diagnóstico é feito em fases iniciais, a taxa de cura é extremamente elevada. Em números, quando o diagnóstico é feito precocemente, ao longo dos 5 anos que se seguem, 95% das pessoas estarão vivas e saudáveis.

A discrepância entre os prognósticos dos tumores iniciais e avançados ocorre por que nas fases iniciais há muitas opções de tratamento que promovem cura.

Como se desenvolvo o câncer de cólon e reto?

Classicamente, o câncer do cólon se inicia como uma pequena lesão benigna na mucosa intestinal (chamado adenoma – um tipo de pólipo). Ao longo de anos, esta lesão benigna pode sofrer uma transformação e se tornar um câncer (chamado de adenocarcinoma). A remoção destas lesões na fase de pólipo evita o aparecimento do câncer.

Mas como realizar o diagnóstico precoce e a remoção dos pólipos?

A única maneira é através dos exames de rastreamento. Estes exames são feitos em pessoas saudáveis a procura dos pólipos para que sejam retirados antes de se tornarem cânceres.

Existem diversos exames para pesquisa de neoplasias de intestino. Dentre eles, o mais eficaz em simultaneamente diagnosticar e tratar os pólipos é a Videocolonoscopia. Trata-se de um exame em que é possível avaliar a parede do intestino grosso e do reto através de uma microcâmera. Qualquer lesão suspeita como os pólipos são retiradas (biópsia) e enviados para análise de um médico patologista.

Quem deve ser submetido a este screening?

Existem pequenas variações nas diretrizes do rastreio do câncer do cólon e do reto dentre os protocolos europeu, americano, brasileiro e asiático. No entanto, é unanimidade que todo indivíduo aos 50 anos deve realizar a primeira Videocolonoscopia de rotina. A partir dos achados do primeiro exame, o médico poderá definir a periodicidade com que precisa ser repetido. Em geral, a repetição do exame é feita a cada 3 a 10 anos.

Pessoas com fatores de risco elevados para o desenvolvimento deste câncer (por exemplo: história familiar (parentes próximos) de câncer de cólon ou reto e portadores de algumas doenças que geram inflamação crônica do intestino grosso) podem precisar iniciar esta pesquisa mais precocemente.

Esta pesquisa também é indicada em pessoas de qualquer idade que apresentem sintomas relacionados ao câncer como a presença de sangue nas fezes.

Controvérsias

Hoje, muito se discute sobre iniciar este rastreamento aos 40 anos em virtude do fato de que este tumor tem sido cada vez mais frequente em indivíduos mais jovens. Todavia, ainda não há um consenso na literatura e novos estudos científicos com análises populacionais são necessários para mudar as diretrizes atualmente existentes.

A lição de casa

É importante ressaltar que quando diagnosticado em fases iniciais, os tumores de cólon estão relacionados a uma alta taxa de cura e poucas sequelas. Dessa forma, o rastreamento com Videcolonoscopia (ou outros métodos) é uma estratégia fundamental na prevenção do câncer de cólon e reto.

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