A cirurgia vascular e a perspectiva futura

As varizes de membros inferiores são responsáveis por grande morbidade na população, inclusive jovens em idade economicamente ativa. Para realizar o tratamento desta doença pelo SUS, os pacientes esperavam por longos períodos nas filas dos hospitais públicos, aguardando vagas para internação. A inclusão pelo SUS, este ano, do tratamento de varizes dos membros inferiores com espuma de polidocanol foi um grande avanço, permitindo tratamento mais rápido, menos invasivo e com excelentes resultados para os pacientes. Esta técnica não necessita de internação hospitalar, permitindo a resolução desta doença em um maior número de pacientes e, com isto, reduzindo o custo do tratamento para o SUS, além de não precisar que o paciente se afaste das suas atividades profissionais.

Outro campo em constante evolução no tratamento das varizes dos membros inferiores é o uso do endolaser e a radiofrequência.

Houve grande evolução nos tipos de fibras e cateteres utilizados nestas técnicas, resultando em melhores resultados. Além destas evoluções, estas técnicas apresentaram difusão importante como método de tratamento pouco invasivo, com retorno precoce ao trabalho, pouco doloroso, com os melhores resultados no controle das varizes e excelentes resultados estéticos (sem incisões).

O tratamento endovascular dos aneurismas de aorta tóraco-abdominais com implante de endopróteses ramificadas/fenestradas também vem apresentando importante evolução. Este ano, houve avanço importante nesta modalidade de tratamento extremamente complexo e avançado através do surgimento de novas endopróteses mais simples e eficientes que são feitas sob medida para a anatomia de cada pessoa (através da análise de Angio-tomografia computadorizada). Estes avanços permitiram melhoria na taxa de sucesso no tratamento, menores índices de complicações, menor dor no pós-operatório menos, menor tempo de internação e retorno mais precoce às atividades cotidianas.

A grande tendência no tratamento da doença aterosclerótica, principal causa de morte mundial, é o uso de balões e stents farmacológicos, que liberam uma substância chamada paclitaxel no interior das artérias. Esta substância reduz a reação das artérias à manipulação endovascular (angioplastias), diminuindo assim a recidiva das obstruções que são eventos muito frequentes. Recentemente, houve a publicação de um estudo demonstrando melhores resultados com o uso de balões farmacológicos para angioplastias de fístulas arteriovenosas. As pessoas com doença renal crônica em hemodiálise frequentemente apresentam estenoses (estreitamentos) nas suas fístulas arteriovenosas, sendo indicado a realização de angioplastias (dilatações) através de cateterismo. Este novo recurso resultará em melhor qualidade de vida para pessoas em que a fístula arteriovenosa é o grande “calcanhar de Aquiles” para a realização da hemodiálise.

A grande perspectiva futura na cirurgia vascular é o desenvolvimento de stents bioabsorvíveis, ou seja, stents com absorção pelo organismo e desaparecimento após determinado período. Estes stents apresentarão a vantagem imediata dos stents na manutenção das artérias pérvias. Todavia, não apresentarão as desvantagens a longo prazo que são causadas pela resposta da artéria à presença de um corpo estranho, levando à recidiva das estenoses.

Dr Marcio Filippo – Cirurgião Vascular e Endovascular

03/03/2018

 

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