Aumentar os impostos de bebidas com açúcar é uma solução para obesidade?

Dr. João Marcello de Araujo Neto
Clínica Médica
09/01/2016

Em 2014, o governo mexicano decidiu impor taxação mais rígida a bebidas adoçadas com açúcar como parte de uma estratégia de combate à obesidade. Para isto, aumentou em 10% as taxas aplicadas as bebidas que, em seguida, foi repassado aos consumidores pelas empresas produtoras.

E o que aconteceu?

Na primeira edição de janeiro de 2016, o British Medical Journal – uma das publicações médicas com maior impacto científico no mundo – publicou os dados analisados pelo Dr. M. A. Colchero e sua equipe a respeito do consumo destas bebidas. Os resultados são impressionantes. Comparando-se com os hábitos anteriores à taxação houve uma redução média de 6% no consumo destas bebidas. Conforme a análise mensal do ano de 2014, houve uma redução progressivamente maior a cada mês após o início da nova política. Quando os dados do mês de dezembro (11 meses após o início da taxação) foram analisados isoladamente, a redução média deste mês foi de 12%. Isto sugere que o impacto desta mudança de hábitos no consumo destas bebidas pode aumentar com o tempo.

A equipe de pesquisadores também fez uma análise estratificada de classes sócio-econômicas. A redução ocorreu em todos os níveis, mas foi maior nos mais desfavorecidos. Nestes, houve uma redução média anual de 9% em 2014 e de 17% apenas no mês de dezembro.

Um outro fato interessante é que em compensação, houve um aumento de 4% no consumo das bebidas não sobretaxadas, principalmente água.

Esta tendência de redução do consumo de commodities após aumento de impostos e que tende a se acirrar com o tempo já foi evidenciada cientificamente em outros produtos como tabaco, álcool e drogas ilícitas.

Os dados mexicanos são altamente interessantes e geram informações valiosas para governos em todo o mundo. É certo que a taxação de commodities não deve ser uma estratégia empregada isoladamente no combate à obesidade, mas precisa fazer parte de uma programa amplo de saúde pública para este fim.

E para você que lê nosso texto, fica a dica, reduzir ou até mesmo abolir o consumo de bebidas açucaradas como refrigerantes é uma importante ferramenta para eliminar aqueles quilos extras! É ciência, é Instituto Clinic!

Referências:
BMJ 2016; 352 doi: http://dx.doi.org/10.1136/bmj.h6704 (Published 06 January 2016)

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