Atualmente a Hepatite C é considerada uma doença 100% curável

Sem dúvidas, o ano de 2017 trouxe boas novidades para a Hepatologia. A hepatite C ainda permaneceu líder em inovações com a chegada de novos fármacos ao mercado mundial. Nos últimos anos, os medicamentos anti-virais de ação direta se multiplicaram e promoveram uma revolução levando à cura desta doença. Estes remédios são o que todo médico deseja: poucos comprimidos por dia, altíssima eficácia e mínimos efeitos colaterais. O custo ainda é um problema para a acessibilidade mundial, mas, felizmente, o Brasil possui um programa bem estruturado de distribuição gratuita destas drogas pelo SUS.

Já que a hepatite C é considerada uma barreira superada, no ano de 2017, muitos pesquisadores na área de Hepatologia em todo mundo mudaram as direções de suas pesquisas. Vários passaram a se dedicar mais à hepatite B que parece ser a próxima doença infecciosa a ser derrotada. Neste ano, chegou ao mercado uma nova formulação do tenofovir (medicamento já usado há alguns anos para hepatite B) e que tem a vantagem de apresentar menos efeitos adversos. Todavia, ainda precisamos caminhar, a passos largos, para chegar próximo da cura desta infecção crônica.

Outro campo que têm atraído muitos pesquisadores é a doença hepática gordurosa não-alcoólica (também chamada de esteatose). Em 2017, muitas publicações trouxeram luz ao conhecimento dos mecanismos moleculares que levam à sua formação. Os métodos não-invasivos de avaliação de gordura hepática continuam a avançar de forma célere e, neste ano, presenciamos a multiplicação de tecnologias para realização de elastografia por ultrassonografia e ressonância magnética.

O ano de 2017 também foi marcado por alguns avanços no combate ao hepatocarcinoma. Dois novos quimioterápicos chegaram ao mercado para o tratamento paliativo de pacientes com neoplasia avançada. Também estão se consolidando novas estratégias de combate regional ao tumor sem a necessidade de cirurgia, destacando-se a radioembolização. Infelizmente, na maioria dos países, o custo ainda é uma barreira para o acesso universal a estas tecnologias.

Ainda no âmbito científico mundial, neste ano, houve importantes publicações nas áreas de cirrose, hipertensão portal, lesão hepática induzida por medicamentos, dentre outros.

No que diz respeito ao Brasil, avançamos consideravelmente em políticas públicas de distribuição de medicamentos contra hepatite C. Um novo PCDT (protocolo clínico e diretrizes terapêuticas) foi publicado em 2017 ampliando o tratamento gratuito pelo SUS para pacientes com fibrose hepática moderada. Neste protocolo, também houve a incorporação pelo SUS de uma nova medicação altamente eficaz na cura da hepatite C e que, dentre outras, tem a vantagem de poder ser usada por pessoas com doença renal crônica. Por fim, houve ainda a promessa do Ministro da Saúde de que no próximo ano a distribuição gratuita de medicamentos contra a hepatite C será universal em nosso país, independente do grau de fibrose hepática. Para 2018, o governo também promete melhoria no acesso a medicamentos para pacientes com doenças raras do fígado como hepatite auto-imune e doença de Wilson.

Na medicina privada, o governo determinou que os exames de elastografia hepática por ultrassonografia deverão ser incluídos no hall de procedimentos oferecidos pelos planos de saúde. Certamente, foi um importante avanço na democratização do acesso a estas tecnologias.

O ano de 2018 está repleto de promessas de avanços científicos e novas políticas públicas na área da Hepatologia. Nós médicos temos a obrigação de protagonizar os avanços científicos e cobrar dos governos que criem políticas de acessibilidade às novas tecnologias.

Dr João Marcello Neto – Hepatologia e Clínica Médica

23/02/2018

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