As inovações da Cardiologia

O mundo da cardiologia também trouxe grandes inovações no último ano. Muitas novidades foram apresentadas, principalmente nos campos das dislipidemias e hipertensão arterial. Nesse texto, vou abordar três dúvidas que foram muitos comuns nos meus pacientes a partir das informações que vieram à luz neste último ano.

“Dr., preciso fazer jejum para fazer o exame que mede as taxas de gorduras no sangue? ” A resposta é não.

Essa recomendação foi feita na Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção de Aterosclerose, publicada em 2017. Os níveis de colesterol não sofrem influência da alimentação e as taxas de triglicerídeos têm relação previsível com a mesma, sendo normais abaixo de 150mg/dl em jejum, e menor que 175mg/dl caso o paciente tenha se alimentado. Portanto, basta que o paciente diga se fez ou não o exame em jejum para que o médico possa julgar se as taxas de gorduras no sangue estão adequadas.

Novas medicações para reduzir os níveis do LDL

“Ainda sobre as taxas de gordura, quais são os níveis adequados? ” Questão também bastante discutida em 2017. Este assunto é tão importante que foi publicada em outubro, no Journal of the American College of Cardiology – um dos periódicos médicos mais com maior fator de impacto na área de cardiologia – , um artigo de revisão sobre o assunto. Nele, reafirma-se que o LDL, conhecido popularmente como “mau colesterol “, é o grande vilão no que diz respeito ao risco cardiovascular. Simplificadamente, quanto menor o LDL, menor o risco de um indivíduo ter um infarto ou morrer “do coração”. Neste contexto, surgiram no mercado diversas novas medicações para reduzir os níveis do LDL. Em destaque, temos os inibidores da PCSK9 que são fármacos que trazem, pela primeira vez, a tecnologia molecular ao arsenal terapêutico da cardiologia e, prometem uma redução significativa dos níveis desse ” mau colesterol”, em casos específicos.

“E sobre hipertensão arterial, novidades? Em 2017 foi publicada o novo guideline da American College of Cardiology / American Hearth Association que passou a classificar medidas iguais ou acima de 130×80 mmhg como definidoras de hipertensão arterial (anteriormente os valores eram iguais ou maiores a 140x90mmhg). Com esses novos níveis, o diagnóstico de hipertensão torna-se muito mais prevalente, incluindo quase metade da população americana. Os autores justificam a mudança sob o argumento de tentar melhorar precocemente os hábitos de vida dos indivíduos (dieta adequada, atividade física, cessação de álcool e tabagismo) objetivando evitar mais mortes de causas cardíacas. No entanto, há críticas em relação a esses novos valores, já que se cria uma tendência ao excesso de tratamento medicamentoso. Caso não tenhamos cuidado em individualizar adequadamente o tratamento, principalmente nos idosos, podemos ter os benefícios mencionados substituídos pelos riscos dos efeitos colaterais das medicações anti-hipertensivas.

Desse modo, nota-se que também na área da cardiologia as informações se multiplicam, fazendo que o conhecimento médico sofra mudanças a cada dia.  Entretanto, há algo que não pode e não deve mudar: o bom senso na aplicação dessas inovações. Cabe ao médico ser crítico para a aplicação dessas novidades, de acordo com a individualidade de cada paciente.

Dr Guili Pech – Cardiologia e Arritmologia

12/03/2018

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