Antibióticos, sífilis e HIV

Muitas novidades ampliaram o arsenal de prevenção, diagnóstico e tratamento às doenças infecciosas no último ano.

Em relação à AIDS, a principal novidade foi a liberação, pelo Ministério da Saúde, da droga dolutegravir como primeira linha de tratamento para os pacientes que convivem com o vírus HIV. O medicamento, da classe dos inibidores de integrase, possui menos efeitos colaterais e maior tolerabilidade. Ambos são fatores importantes na adesão dos pacientes ao tratamento.

Outra novidade foi à chegada ao Brasil da PrEP: profilaxia pré exposição sexual. Trata-se de um comprimido que reduz o risco de contaminação do HIV através das relações sexuais. Esta nova e eficaz estratégia de prevenção, que envolve a utilização diária de um medicamento por pessoas não infectadas, é uma medida simples de ser adotada e a sua segurança já foi comprovada em ensaios clínicos. A PrEP já é amplamente difundida nos EUA. O medicamento utilizado bloqueai o ciclo de multiplicação do vírus, desta forma, impedindo a infecção.

A PrEP é indicada para casais soro discordantes que já usam camisinha, mas querem praticar uma medida adicional de prevenção da infecção pelo HIV. O uso da PrEP entre os casais diminui o estresse, o medo, a culpa e a ansiedade. Com isso, estima-se que possa aumentar e estimular a libido e a intimidade sexual.

Apesar da chegada do dolutegravir e da implementação da PrEP, ainda temos um longo caminho no combate à epidemia do vírus HIV, principalmente em relação à conscientização da prevenção com o uso dos preservativos nas relações sexuais.

O ano de 2017 também consolidou um dado assustador na área de Infectologia: o aumento do número de casos de sífilis no Brasil. Nos últimos 6 anos, segundo o Ministério da Saúde, a ocorrência de sífilis aumentou 2.000%. A falta da medicação utilizada como primeira linha de tratamento agravou a situação tornando a epidemia difícil de ser combatida.

Na área dos antibióticos, a velocidade de aparecimento de resistência das bactérias é maior do que a chegada de novos medicamentos. E a principal causa desse aumento de resistência bacteriana aos antibióticos é exatamente o uso indiscriminado destas medicações em todo o mundo. Uma pesquisa recente realizada nos EUA pelo CDC – Centers for Disease Control and Prevention – mostrou que 30 a 50% dos antimicrobianos prescritos em hospitais são desnecessários ou inapropriados. A mesma pesquisa cita que infecções causadas por bactérias resistentes a múltiplos antibióticos geram 23.000 mortes por ano nos EUA.

Em 2017, o termo “stewardship” esteve presente em diversas publicações e em todos os congressos nacionais e internacionais de Infectologia. Trata-se da implementação do uso racional dos antimicrobianos no ambiente hospitalar com estratégias que incluem suspensão precoce dos mesmos, doses adequadas e ajustes após os resultados das culturas.

Nos EUA, o FDA aprovou em 2017 duas importantes drogas que combatem bactérias resistentes. No ano que vem, essas drogas estarão disponíveis para uso no Brasil, ampliando as possibilidades de tratamento para essas infecções.

E assim como nas várias especialidades médicas, a infectologia caminha para tratamentos cada vez mais customizados, menos tóxicos e mais eficazes.

Dra Thelma Flosi Gola – Infectologista

18/03/2018

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