ALZHEIMER. Estudos com pessoas em fase muito precoce ajudam a aprender os processos para o surgimento da doença.

Em julho do ano passado, aconteceu em Londres a Conferência Internacional da Alzheimer Association. Esta é uma organização que reúne cientistas do mundo todo envolvidos em pesquisas sobre a doença de Alzheimer. Anualmente, a conferência traz os últimos resultados dessas pesquisas para conhecimento e discussão de toda a comunidade científica.

Entre os diversos aspectos do tema, os principais destaques incluíram os estudos com pacientes em fases muito precoces da doença, antes mesmo dos primeiros sintomas aparecerem. Estudando essa fase “pré-clínica” podemos aprender quais são os processos-chave para o surgimento e progressão da doença e, também, como intervir nos mesmos.

Apesar de fato já amplamente conhecido, cada vez mais reforça-se que a deposição da proteína beta-amiloide é o gatilho que leva à cascata de reações subsequentes no processo de desenvolvimento da doença de Alzheimer. Produzida pela membrana dos neurônios, essa proteína vai se depositando ao redor deles e, gradualmente, comprometendo a sua comunicação (sinapse), até criar um ambiente tóxico que começa a lesar os próprios neurônios.

Nesse sentido, terapias com alvo na beta-amiloide se mostram promissoras para evitar, ou ao menos retardar, a evolução da doença. Fármacos com diferentes mecanismos de ação estão em fase experimental, porém devem demorar de 5 a 10 anos para chegar ao uso clínico. Entre eles, destacam-se dois tipos:

  • Medicamentos que atuam prevenindo a produção da proteína beta-amiloide, chamados de “inibidores da enzima gamma secretase”.
  • Anticorpos artificialmente produzidos para “atacar” a proteína beta-amiloide e promover sua remoção do cérebro.

Atualmente, já sabemos que fatores modificáveis contribuem para a prevenção da doença de Alzheimer, a destacar: atividade física aeróbica, controle da pressão arterial e da glicose, interrupção do tabagismo, não consumir álcool em excesso, boa qualidade do sono e atividades cognitivas estimulantes.

Outro destaque da conferência foi a confirmação, através de novos dados clínicos, da importância do tratamento medicamentoso com inibidores da enzima acetilcolinesterase (ex: donepezila, rivastigmina e galantamina), disponíveis atualmente para o controle dos sintomas quando a doença já está instalada.

Ainda na área das demências, nesse ano também foram publicados os novos critérios diagnósticos da demência de Lewy que constitui a segunda causa mais comum de demência degenerativa, perdendo apenas para o Alzheimer. Essas duas doenças se confundem muitas vezes, porém o Lewy possui algumas particularidades na apresentação clínica e na evolução, que são importantes para o diagnóstico e tratamento corretos.

Apesar de fato já amplamente conhecido, cada vez mais reforça-se que a deposição da proteína beta-amiloide é o gatilho que leva à cascata de reações subsequentes no processo de desenvolvimento da doença de Alzheimer.

Em 2018, esperam-se novos progressos que possam melhorar o diagnóstico e tratamento das síndromes demenciais e das demais doenças que atingem a população idosa.

Dr Ivan Abdalla – Geriatria e Clínica Médica

21/01/2018

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