Alerta ao Uso de Polivitamínicos e Suplementos

Um estudo publicado recentemente no New England Journal of Medicine (NEJM) – a publicação médica com maior impacto científico no mundo – lançou um alerta acerca do uso indiscriminado de vitaminas, suplementos nutricionais e fórmulas rotuladas como “naturais”.

Aproximadamente metade dos adultos nos Estados Unidos utiliza um desses produtos mensalmente, com uma movimentação financeira anual de 14,8 bilhões de dólares na economia. Incluem-se nesse grupo todos aqueles que fazem uso de polivitamínicos, suplementos de ferro, vitamina C, whey protein, relaxantes naturais, estimulantes energéticos (cápsulas de guaraná ou cafeína) e termogênicos.

O trabalho publicado na revista acompanhou por um período de 10 anos os atendimentos prestados nas Emergências de 63 grandes hospitais americanos e tomou nota de todos aqueles relacionados ao uso de suplementos. Anualmente, há cerca de 23 mil pacientes que necessitam de atendimento de Emergência por causa de complicações relacionadas ao uso destas substâncias. Destes, aproximadamente 2 mil necessitam de internação.

As principais complicações descritas foram relacionadas aos sistemas cardíaco e gastrointestinal, além de reações alérgicas, uso de dose excessiva e ingestão acidental por crianças.

Queixas como dor no peito, palpitações, dor de cabeça, tonteira, náuseas, vômitos, dor abdominal, ansiedade e crises convulsivas foram relacionadas ao uso de suplementos para perda de peso e energéticos. As vitaminas e outros micronutrientes foram associados a reações alérgicas leves à graves, disfagia (dificuldade para engolir), obstrução das vias aéreas por engasgo, além de sintomas gastrointestinais, dor de cabeça e tonteira.

Pessoas de todas as idades estão expostas aos riscos do uso inadvertido e excessivo dos suplementos alimentares, produtos naturais e polivitamínicos. O risco parece ser maior em adultos que utilizam estimulantes e produtos para emagrecer, que causam sobretudo sintomas cardíacos. Em crianças, deve-se atentar para a ingestão acidental, especialmente porque estes produtos tendem a ficar mais facilmente expostos dentro do ambiente domiciliar. Pessoas idosas possuem maior risco de engasgo pela dificuldade de deglutir comprimidos grandes.

Ao contrário dos remédios prescritos por médicos ou até mesmo aqueles que podem ser comprados sem receita nas farmácias, as embalagens dos suplementos não possuem obrigação de informar sobre possíveis riscos ou efeitos colaterais. Deve-se, portanto, ficar atento ao uso excessivo e irrestrito de tais produtos sem orientação profissional. Além de carecerem de evidencias científicas que comprovem seus benefícios, estes medicamentos estão associados a potenciais riscos.

 

Fonte:

Geller, A. I. et al. Emergency Department Visits for Adverse Events Related to Dietary Supplements. New England Journal of Medicine, v. 373, n. 16, p. 1531-1540, 2015.

Dr. Rafael Addum
Clínica Médica

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